Infraestrutura precária é a principal defasagem no ensino de crianças especiais

Pesquisas apontam que educação inclusiva está em expansão no Brasil, mas infraestrutura ainda é entrave A expansão do acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais ao Ensino Fundamental vem crescendo no Brasil nos últimos anos. De acordo com dados do Censo Escolar 2016, as matrículas de estudantes com deficiência, altas habilidades e transtornos globais do desenvolvimento (o chamado público-alvo da educação especial) chegam a 82% na educação infantil em todo o país, além de 57,8% das escolas brasileiras terem alunos com deficiência incluídos em turmas regulares (em 2008, esse percentual era de apenas 31%).

  Comparando com a situação de 20 anos atrás, há uma inversão de tendência em prol da inclusão: em 1998, eram cerca de 200 mil matrículas de estudantes com alguma deficiência, diagnosticadas como TDG e altas habilidades na educação básica, das quais 13% estudavam em classes comuns. A comparação indica que a inclusão prevalece, e que a garantia ao direito à educação dessa população está avançando.

  No entanto, ainda há defasagem na oferta de infraestrutura adequada para alunos especiais. Segundo levantamento feito com dados da rede pública pelo movimento Todos Pela Educação, apenas 4,8% das escolas de Ensino Fundamental possuem o mínimo de condições estruturais previsto em lei.

  Na rede privada os problemas aumentam: além da qualidade da infraestrutura ser semelhante às redes públicas, o acolhimento e a receptividade da escola com os jovens portadores de necessidades especiais gera conflito entre os pais e a comunidade. Em pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, o estudo mostrou que apesar das políticas públicas de inclusão, os pais ainda têm dificuldades para conseguir matricular os filhos, principalmente os autistas.

Dentre 53 participantes do estudo que solicitaram uma vaga em escolas privadas, 21 alunos foram recusados, sendo que 8 tiveram que recorrer a outras instâncias para serem aceitos. Ainda de acordo com a pesquisa, 12 responsáveis responderam que as escolas recusam o aluno porque o vê “como um problema”, ou “como um doente que não deveria estar naquele espaço”.

O estudo revelou também que na educação infantil, as escolas estão mais preparadas e embasadas para atender a diversidade, mas que as coisas mudam quando essas crianças alcançam as próximas etapas da escolarização devido às diferenças de aprendizado, além do preconceito ficar mais evidente.

Escola referência em educação inclusiva tem 30% dos alunos com algum tipo de necessidade especial

  Situada na região central de São Paulo, a Escola Internacional de São Paulo (que opera atualmente como Red House Internacional School), é referência em educação inclusiva para crianças superdotadas e com necessidades especiais.

“Quando começamos a trabalhar com inclusão há alguns anos, tínhamos como objetivo acolher as crianças com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). Com o tempo, vimos que todas as adaptações curriculares e todas as orientações dadas aos professores para inclusão de crianças com autismo acabavam sendo benéficas para todas as crianças”, conta a diretora da escola, Denise Lam. Hoje, a Escola Internacional de São Paulo recebe cerca de 30% de seus alunos com algum tipo de necessidade especial.

 
Na prática - Para isso, a escola buscou as melhores práticas, inclusive com institutos de pesquisas dos EUA. O corpo docente é treinado periodicamente com estudos feitos pela maior referência na área, a Patologista de Linguagem, Erin Lozott. Além de adaptações de materiais e estímulos diferenciados para cada tipo de necessidade, a escola oferece um Plano Individual de Estudos para cada aluno e fazeres pedagógicos diversificados.

“A dificuldade diante da inclusão é oferecer a todos possibilidades iguais de desenvolvimento. Há um grande trabalho a ser levado em conta, que é identificar aonde cada um pode ir, aonde cada um pode chegar. Dá muito mais trabalho, obviamente, mas os resultados são excelentes e impactam positivamente na vida deles”, afirma Denise.

Ela explica que, para cada aula planejada pelo professor, são necessárias adaptações considerando quem estuda naquela sala. “Adaptamos a mesma atividade para uma criança autista, uma criança com superdotação, uma criança com déficit de atenção e para todos os outros. O melhor de tudo isto é que nenhum dos alunos percebe que aquela adaptação é para ele, ou até que aquilo seja uma adaptação. Nunca se sentirá diferente, incapaz, esperto demais ou nada disso. As adaptações se camuflam no preparo das atividades e somente os professores, terapeutas e coordenação pedagógica conseguem dizer quais são”, conclui.

Sobre a Escola Internacional de São Paulo – Inaugurada por Raquel e Michel Lam, fundadores da maior rede de ensino de inglês para crianças, a Red Balloon, a Escola Internacional de São Paulo se inspira em instituições de ponta do mundo para trazer ao Brasil uma educação de excelência, alinhada aos novos padrões de ensino, onde se valoriza a capacidade de aprender a aprender. Localizada no bairro de Higienópolis, oferece um ensino internacional bilíngue desde a Educação Infantil, amparada pelo sistema educacional suíço de ensino IB (International Baccalaureate), cujo diploma é reconhecido internacionalmente nas principais Universidades do mundo.